terça-feira, 19 de setembro de 2017

LEONARD COHEN, SAUDADE!





















Passaram mais de dez meses sobre a morte de Leonard Cohen e, na velocidade do dia-a-dia, acabamos sempre por não dar pela sua falta. Até que... A saudade bateu forte com o lançamento no dia de hoje de um video oficial para uma das sua grandes e últimas canções chamada "Leaving The Table" que faz parte do álbum "You Want It Darker" lançado logo após a sua triste partida. Um profético e corajoso testemunho sobre a morte, melhor, sobre como deixar este mundo pairando e dançando sobre todos nós. Prometido pela família está um concerto tributo agendado para o dia 4 de Novembro em Montreal e onde se anunciam as vénias de, entre outros, Elvis Costello, Feist, K.D. Lang ou Patrick Watson e onde seria um sacrilégio, dizemos nós, não comparecer o Rufus Wainwright para cantar o "Hallelujah".        


HOPE SANDOVAL, VELUDO SUBLIME!

Dura há já largos anos (desde 1988) um encantamento arrepiante sempre que Hope Sandoval decide derramar uma porção de veludo em qualquer canção onde pousa a sua voz. Nos Mazzy Star ou, mais recentemente, com os Warm Inventions, são muitos os exemplos desse feitiço que ganhou o ano passado um aliado chamado Kurt Vile em "Let Me Get There", elevando o dueto ao estado perfeito. Mas quando hoje escutamos a versão acústica do mesmo tema que está incluída num novo EP e que, de forma não oficial, deve ser escutada de imediato e sem qualquer interrupção, porra, lá se foi a preferência antiga e a tal perfeição... mesmo sem o parceiro, isto é ainda mais sublime! O disco, com edição em 10" de vinil através da própria editora Tendril Tales, inclui dois temas inéditos ("Sleep" e o tema título "Son Of a Lady") e já se encontra em venda online.




segunda-feira, 18 de setembro de 2017

UAUU #395

STAPLES E TWEEDY, PARCERIA INFALÍVEL!





















A aparente incongruência artística entre Mavis Staples e Jeff Tweedy irá ter mais uma prova inequívoca de validade com a edição do disco "If All I Was Was Black" em Novembro (há uma versão autografada já em pré-venda). Staples, a senhora do gospel e do soul com raízes mais que vincadas na tradição americana, alia-se novamente a Tweedy, o senhor da country e rock alternativo que consagrou os Wilco, repetindo uma colaboração antiga e frutífera que alcança agora um terceiro disco para o qual Tweedy escreveu onze temas, três deles em co-autoria. Há até um dueto prometido numa dessas canções ("Ain't No Doubt About It") sendo as líricas uma responsabilidade partilhada que reflecte os problemas raciais e sócio-políticos que a América enfrenta nos nossos dias e que, infelizmente, se repetem mais frequentemente. Aqui fica um primeiro e grande exemplo.      


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

JAY-JAY JOHANSON, TRÉGUA AO PIANO!














É hoje oficialmente lançado o disco "Bury The Hatchet" de Jay-Jay Johanson já por aqui anunciado e cujos treze temas estão disponíveis em pré-escuta. Há pedacinhos excelentes conhecidos - por exemplo, o aveludado "You'll Miss Me When I'm Gone" estava já no EP saído em Março - mas o disco embalador confirma um estado de forma superlativo em que o piano é mesmo a pedra de toque da viagem como se pode confirmar no tema título lançado como single no início do mês e que recebeu a primazia de um excelente video. Johanson estará em digressão nacional no próximo mês chegando a Braga e à esplendorosa sala do Theatro Circo no dia 14 de Outubro, sábado, uma oportunidade dourada para celebrar o 20º aniversário do álbum "Whiskey" e, pacificamente, escutar as novas canções.
Entretanto e numa colaboração sueca iniciada num encontro ocasional num bar moscovita, descobre-se um novo tema do álbum de Loney Dear também prontinho a levantar o pano. "Lilies", assim se chama a canção, recebeu a voz de Johanson no segundo coro e também a contribuição de S Carey, um ex-baterista de Bon Iver já com uma interessante carreira a solo. Prometedor! 

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

DESTROYER, COMO RESISTIR?





















Os canadianos Destroyer são, para além de um exemplo de longevidade artística, um paraíso sonoro de difícil comparação ou semelhança. A cada disco, a mestria de Dan Bejar e aquele trompete a preceito e que só funciona mesmo neste contexto, fertilizam ainda mais uma colheita harmoniosa que se quer sempre vibrante. É o caso dos dois temas para já conhecidos do décimo segundo disco a sair pela Merge Records em Outubro e que foi simplesmente baptizado de "Ken" - Bejar explica o epíteto como uma referência obscura ao primeiro título do tema "The Wild Ones" dos Suede apesar de ter confessado que a banda inglesa nada tem a ver com o disco... Os Destroyer regressam a Portugal já a 24 de Novembro para o Mexefest alfacinha e, atendendo ao que se pode ouvir abaixo, a noite vai ser certamente irresistível.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

KING KRULE, O REI ESTÁ DE VOLTA!





















Há coisas que queremos e desejamos que nunca mudem apesar de Camões há muito ter sentenciado que "todo o mundo é composto de mudança tomando sempre novas qualidades"... No caso de Archy Marshall aka King Krule, a cara de miúdo tornou-se imutável mas a sua música, essa, lá está, parece incorporar novas dimensões qualitativas e visivelmente surpreendentes nos arranjos e nas trajectórias. Longe vão os tempos de arranque como testemunhamos in loco ali a meio da Rua Passos Manuel da Invicta e os passos de uma carreira maturada e cimentada ganham agora contornos de gigantismo com o álbum "The OOZ" a sair pela XL Recordings em meados de Outubro. As amostras em video complementam canções notáveis de talento e subtileza, dois exemplos que a editora juntou num 7" de vinil já disponível e apetecível e que antecipa uma digressão em nome próprio que talvez (suspiro!) acabe por chegar a uma sala por perto, prolongando o encantamento conseguido no anfiteatro de Coura no mês passado. Repetindo a dose de 2013, Krule aparece ainda ao lado dos amigos Mount Kimbie no novo álbum do duo inglês "Love What Survive" emprestando a sua inconfundível voz no tema "Blue Train Lines", mais um grande momento para o livro das condecorações!






terça-feira, 12 de setembro de 2017

LALI PUNA, REGRESSO EM PLENO!





















Já lá vão muitos anos (2002!) desde que o disco "Scary World Theory" dos alemães Lali Puna nos chegou aos ouvidos. A benção teve uma celebração suada numa noite longa em plena sala de dança do saudoso bar Triplex nos anos seguintes (2004 ou 2005?) e passamos obrigatoriamente a traçar o rasto à menina Valerie Trebeljahr, mentora de tão eficaz receita. Electrónica levezinha, electro-pop como se chamava na época, excelente para dançar e curtir sem sobressaltos que tinha em Markus Archer, um dos irmãos dos The Notwist, uma parceria cúmplice. Só é pena que o tal rasto se perca muito facilmente em tão poucos discos - "Faking the Books" de 2004 e "Our Inventions" de 2010 - e, por isso, a aparição ao fim de sete anos é mesmo de saudar! O regresso aos álbuns faz-se este mês com "Two Windows" onde colaboram, entre outros, Dntel e Mary Lattimore e onde Valerie assume as despesas da composição e a separação definitiva do amigo Archer. A produção repete o nome de Mario Thaler que tinha já trabalhado nos anteriores discos e há, para já, dois singles lançados, um deles uma surpreendente e irresistível versão de "The Bucket" dos Kings of Leon!



segunda-feira, 11 de setembro de 2017

UAUU #394

3X20 SETEMBRO













NATALIE MERCHANT, EFEITO BORBOLETA!





















Havia em todos os discos dos 10 000 Maniacs um segredo escondido. Quando apareceram nos anos oitenta, era impossível ficar indiferente à voz de Natalie Merchant que percorria as canções e a sua vinda ao Pavilhão Infante Sagres em 1988 (1989?) para um concerto, sugeria, na altura, um milagre! Só que a fraca adesão de público e as condições técnicas do recinto deitaram por terra toda a subtileza da música e, desde aí, temos pela banda um ténue sensação de pena e distância. Contudo, fomos sempre capazes de separar o trigo do joio e a carreira a solo de Merchant dos últimos anos é o perfeito exemplo de uma reinvenção artística notável que culminou em Junho com a edição de uma colectânea retrospectiva de dez discos que a Nonesuch teve a coragem de pôr cá fora. Incluídos estão todos os discos a solo e uma imensidão de raridades e preciosidades, havendo entre eles um verdadeiro achado chamado "Butterfly", surpreendente álbum de estúdio preparado para um quarteto de cordas onde Merchant reinterpreta algumas das suas canções e apresenta ainda uma série de inéditos de forma magistral e mais que prontos para "bater as asas"...



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

MY BRIGHTEST DIAMOND CINTILANTE!

O projecto Amazon Acoustics não é, certamente, inovador mas a simplicidade do processo continua plena de eficácia - registam-se em exclusivo versões acústicas de temas originais ou versões para venda online, um conjunto que alcança já mais de três horas de música entre sessenta artistas aderentes. Uma das últimas a integrar a selecção foi Shara Nova/My Brightest Diamond que, enquanto regista o álbum sucessor de "This Is My Hand" de 2014, teve tempo para escrever "Wish for The Moon", uma canção de amor numa guitarra acústica que se revela uma balada de impressionante contorno clássico e sedutor. Cintilante!  

WEYES BLOOD, SÃO VERSÕES SENHORES!


A menina Natalie Mering aka Weyes Blood já nos habituou a magníficas versões nos seus concertos - no nosso caso, caímos para o lado com "A Certain Kind" dos Soft Machine em Guimarães e com um arrepiante "Vitamin C" dos Can no último Primavera Sound - um hábito salutar, arrojado até tendo em conta alguma complexidade dos temas. Através da Mexican Summer, há agora um imperdível 7" de vinil onde se depositam duas destas pérolas, a saber, "Everybody's Talking" numa homenagem a Fred Neil numa canção imortalizada por Harry Nilsson e a referida cover de "A Certain Kind" dos Soft Machine. A prática e aparente registo destes temas realizou-se aquando da residência que Mering desenvolveu na Galeria Zé dos Bois lisboeta precisamente em Dezembro passado. Magnífico!



terça-feira, 5 de setembro de 2017

KELLEY STOLTZ, QUE AURA!

Temos pelo desenfreado Kelley Stoltz uma paixoneta musical incontornável que se adensa a cada disco novo. Há agora mais um de nome "Que Aura" lançado recentemente e cujo registo, juntamente com mais três (!), procedeu uma perninha surpreendente como guitarrista-ritmo nos Echo & The Bunnyman na última digressão que chegou a Vilar de Mouros em Agosto do ano passado (há videos que comprovam a sua presença por lá ao lado dos seus confessados heróis). Entre os originais do referido álbum novo, para além de um tema chamado "Tranquilo" e do primeiro single "Same Pattern", andamos já colados a uma canção soeighties de balanço irresistível! "Empty Kicks", pois então...      




NELS CLINE BEM ACOMPANHADO EM GUIMARÃES!
















Faz agora um ano que Nels Cline, o virtuoso guitarrista dos Wilco, cumpriu um desígnio antigo ao editar pela mítica Blue Note um projecto instrumental com uma hora e meia de duração a que chamou "Lovers". Entre composições próprias e versões de alguns standards e originais de gente tão diversa como Arto Lindsay ou Annette Peacock, a ideia sonora vagueia pela sempre apelativa temática do amor e do romance adequadamente orquestrada - que alguém etiquetou de mood music - e onde o gosto pelo jazz e também pela improvisação são meio caminho andado para a sedução. Pois bem, a experiência vai ser apresentada já em Novembro (dia 8) na abertura da 26ª edição do Festival de Jazz de Guimarães e na qual Cline terá a companhia da orquestra da cidade, momento que marca também a celebração dos cem anos da primeira edição discográfica de jazz, aniversário que se entranha no restante e eclético programa do festival. Já há bilhetes!